Esforço para universalizar

museu_ibere_camargoVem de Paris e, se seguir a sua rota natural, sabe-se lá onde irá parar. Os Universalistas mostra-nos 50 anos de arquitectura feita por portugueses para um mundo sem muros, segundo o olhar do arquitecto Nuno Grande.

Depois de ler esta entrevista é obrigatório ir à Casa da Arquitectura. Marquem na agenda: até 19 de agosto.

 

Ir buscar um tal patrono (Eduardo Lourenço), em vez das questões de estilo, de linha e de forma, não é habitual numa exposição de arquitetura. O que o motivou?

Eu não vejo a arquitetura apenas como uma questão de estilo, de linha e de forma. A arquitetura é uma atividade que está integrada numa sociedade, e reflete o que essa sociedade propõe e as suas mudanças, e a própria disciplina influencia essas mudanças. Eu insisto sempre em ver a arquitetura como uma atividade política, no sentido da polis, não dos partidos: o debate da cidadania, da cidade, da sociedade… Para mim, não faz sentido um arquiteto trabalhar alheado das questões culturais, políticas, sociais. Foi isso que quis mostrar nesta exposição: é que há um paralelo entre a História de Portugal dos últimos cinquenta anos e a forma como os arquitetos reagiram a essas mudanças.

(…)

Essa vocação universalista é a realidade da maioria dos arquitetos nacionais?

É, sem dúvida, a realidade da arquitetura portuguesa. E passou de geração em geração: era, por exemplo, a posição do Fernando Távora que passou esta metodologia para Siza que, por sua vez, a passou para Souto Moura, e vejo alguns discípulos destes a assumirem a mesma posição. Isso está a mudar, e esta exposição pode estar a falar do fim de um ciclo. Com a capacidade para viajar e a saída de muitos arquitetos para outros países, talvez mais influenciados pelos métodos de trabalho aí praticados, já não há esta linhagem do mestre-discípulo. Muitos arquitetos começam a sua prática sem terem trabalhado com ninguém: juntam-se em coletivos e trabalham autonomamente. Usam as armas que têm e essa capacidade de estar em rede, em contacto permanente com os profissionais de outros países. E isso está a mudar o paradigma: é uma nova forma de universalismo. É um trabalhar em rede e tentar que essa rede se mantenha.

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